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Lydia Hortélio e a Cultura da Criança – Brincadeiras e Canções Infantis como Patrimônio Imaterial no Brasil

por Cláudia Regina - publicado 02/02/2021 09:05 - última modificação 08/02/2021 12:36

Detalhes do evento

Quando

de 12/05/2021 - 14:30
a 12/05/2021 - 16:30

Onde

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Desde os anos 1960, a etnomusicóloga Lydia Hortélio desenvolve ampla pesquisa sobre a música tradicional da infância no Brasil, a partir de investigação etnográfica de brinquedos e brincadeiras sonoras, ritmos e rodas de versos praticados na cultura popular brasileira. Formada em piano e canto orfeônico na Escola Normal de Música da Bahia, Hortélio especializou-se em etnomusicologia na Universidade de Berna, na Suíça. Desde os anos de 1970 dedica-se à organização de acervo de fotos, gravações, transcrições e descrições de brinquedos e brincadeiras tradicionais infantis da Bahia, com um repertório composto por mais de 600 cantigas, inaugurando no Brasil um trabalho inédito de desenvolvimento dos conceitos de Cultura da Criança e de Música Tradicional da Infância, contribuindo também para o desenvolvimento de uma nova concepção de infância, de educação e de educação musical, com ênfase no protagonismo infantil. O acervo foi reunido a partir de pesquisas realizadas com mulheres e crianças de diferentes classes sociais, sobre os modos de brincar tradicionais, constituindo um conjunto vivo e dinâmico, compreendido como patrimônio imaterial. Em 2019, parte do acervo de Lydia Hortélio foi exposto na Ocupação Itaú Cultural, em São Paulo.

A reflexão etnomusicológica da autora focaliza especialmente o papel dessas brincadeiras e canções na construção e transmissão da cultura da criança brasileira através das gerações. A partir desse trabalho pioneiro, desde 1980 Lygia Hortélio ministra oficinas em diversas instituições educativas e culturais como o Espaço Brincante, em São Paulo, e o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais. Nessas oficinas, Lydia trabalha com dois processos: “o fazer do brincar” e o “brincar do fazer”. O primeiro diz respeito a brinquedos que cumprem “uma linguagem de movimento”. Em sua concepção, cada brinquedo tem uma linguagem particular de movimento, por isso quanto mais as crianças brincam, mais movimentos experimentam. O “fazer do brincar” compreende, por exemplo, as cantigas de roda: “o tom de cada cantiga, o ritmo, conduz a uma experiência de caráter e de qualidade diferente”. A linguagem de movimento está  no corpo:  “Você só vai saber o que é o brincar se você brincar, porque é com o corpo e no corpo que estão a inteligência sensível, as emoções e tudo aquilo se junta em uma unidade do seu ser inteiro e vive aquela experiência”.  Já o “brincar do fazer” diz respeito à invenção de brinquedos com materiais diversos, como latas, tampinhas, pneus, barbante... Ela cita por exemplo a “cama de gato” e o “corrupio”. Embora “silentes”, tais brinquedos também conservam formas e ritmos que Lydia entende como musicais. Cada brinquedo traz seus desafios, seus ritmos, sua linguagem, como ela diz: “você tem que se entregar a ele”.

 

 

Referências:

ARROYO, Margarete. Um olhar antropológico sobre práticas de ensino e aprendizagem musical. Revista da ABEM, vol. 8, n. 5, p. 13-20, 2000.

HENNION, Antoine. La passion musicale. Une sociologie de la médiation. Paris: Ed. Metailié, 2007.

HORTÉLIO, Lydia. Música da cultura infantil no Brasil. Texto não publicado, 2012.

HORTÉLIO, Lydia. Crianças e jovens no século XXI – leitores e leituras. São Paulo: Livros da Matriz, 2013.

HORTÉLIO, Lydia. De onde vem aquela menina. Salvador: Parque da Cidade, 2005.

MENEGALE, Berenice. Cuidar da criação. In: CAMPOS, Lúcia (Org.). Territórios de Invenção: por uma formação musical expandida. Belo Horizonte: Fundação de Educação Artística, 2017, p.155-181.

PAOLIELLO, Guilherme. Das oficinas às residências: territórios de resistência. In: CAMPOS, Lúcia (Org.). Territórios de Invenção: por uma formação musical expandida. Belo Horizonte: Fundação de Educação Artística, 2017, p. 113-123.

SILVA, Lucilene. Eu vi as três meninas: música tradicional da infância na Aldeia de Carapicuíba. São Paulo: Zerinho ou Um Editora, 2014.

TOMICH, Ana. Lydia Hortélio, uma menina do sertão: Educação Musical na cultura da criança. Salvador: Escola de Música (UFBA). Dissertação de Mestrado, 2016.

Inscrições

Evento público e gratuito | sem inscrição prévia.

Evento on-line, não haverá certificação.

Programação

14h30

Abertura:

Marina Massimi (IEA/USP)

14h35

Palestrante:

Lydia Hortélio (Associação Casa das Cinco Pedrinhas, Salvadr-BA)

15h35

Debatedoras:

Lucilene Silva (IA-UNICAMP)

Luciana Guerra Lages (Escola Ipê Amarelo, Lagoa Santa-MG)

Marcela Bertelli (Lira Cultura e IEA/USP)

 

Moderadora:

Lúcia Pompeu de Freitas Campos (UFMG)

16h30

Encerramento

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo