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Eleições brasileiras e governança florestal são temas do número 106 da revista "Estudos Avançados"

por Beatriz Herminio - publicado 31/10/2022 10:30 - última modificação 02/11/2022 14:38

Capa da Revista Estudos Avançados no. 106Com destaque para as eleições no Brasil e o tema da governança florestal, a edição 106 da revista Estudos Avançados é lançada este mês, e sua versão digital está disponível na plataforma SciELO.

A primeira parte, "Dossiê eleições", traz artigos que se baseiam em investigações no campo das ciências políticas para abordar a história eleitoral brasileira. "Os artigos exploram inquietações presentes na opinião pública, no debate midiático e na agenda de política, tanto nacional como regional e local", explica o editor Sérgio Adorno.

Três temas da maior relevância, segundo Adorno, estão presentes na edição: pesquisas eleitorais, programas das candidaturas e os fundamentos ideológicos do bolsonarismo.

As tendências e desempenhos das pesquisas eleitorais foram analisadas por Fernando Meireles, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e Guilherme Russo, lecturer na Escola de Economia de São Paulo (EESP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em estimativas de pesquisas realizadas entre 2012 e 2020. Já Bruno Wilhelm Speck, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofa, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, no artigo "Partidos dominam registro de candidaturas, lideranças conectam melhor com o eleitorado", avaliou que lideranças políticas são capazes de fidelizar os eleitores mais do que os partidos, a partir de dados sobre as eleições para prefeitos realizadas entre 2000 e 2020. Ainda, Lucio Rennó, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), analisou os componentes ideológicos do eleitor que apoia Jair Bolsonaro baseados em preferências sobre temas políticos no artigo "Bolsonarismo e as eleições de 2022".

No texto "O Brasil é realmente um país polarizado? Análise das eleições presidenciais", Antonio Carlos Alkmim, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Sonia Luiza Terron, doutora em Ciência Política, usaram as oito eleições presidenciais brasileiras no período pós-ditadura militar como objeto de análise. "A polarização geográfica entre o primeiro e o segundo colocado é uma característica das eleições presidenciais brasileiras desde 1989 até 2018. Varia o sentido, a intensidade e a geografia do confronto, mas ela está presente em todas as eleições", apontam

As reformas eleitorais enquanto reflexos do amadurecimento do sistema político brasileiro após a Constituição de 1988 foram abordadas por Arthur Fisch e Lara Mesquita, pesquisadores do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp) da FGV, que exploraram as mudanças no sistema proporcional e de financiamento eleitoral. Para eles, "é importante estar atento a tais mudanças para que o sistema evolua de forma a consolidar os ganhos da democracia".

Outras contribuições ainda abordaram as percepções dos eleitores brasileiros sobre os partidos políticos desde o processo de redemocratização e o financiamento de campanhas e desempenho das mulheres nas eleições brasileiras.

"Se, por um lado, recentes inovações legislativas têm produzido impactos positivos, por outro, ainda assim reações conservadoras têm mitigado conquistas e mantido representação predominantemente masculina", diz Sérgio Adorno sobre reformas e igualdade de gênero na arena eleitoral brasileira nas três últimas décadas.

Governança florestal

De acordo com o artigo que abre o segundo dossiê, governança florestal é um tema estratégico para a revista desde a publicação do número 9 sobre o Projeto Floram – Florestas para o Meio Ambiente (1990), liderado pelo professor Aziz Ab’Saber, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Seus artigos trazem subsídios para uma reflexão sobre o avanço no campo da governança florestal no Brasil e as perspectivas globais no campo da governança ambiental e climática feitas nesta edição.

Para falar da legislação florestal brasileira, o artigo de Paulo Eduardo dos Santos Massoca, pesquisador associado ao Center for the Analysis of Social-Ecological Landscapes (Casel) da Universidade de Indiana, e de Eduardo Sonnewend Brondízio, do Departamento de Antropologia da Universidade de Indiana, parte de um exame das narrativas sobre os valores de árvores e florestas nas leis desde o século XVI – com sua recente revalorização e o conflito de interesses opostos.

Na sequência, o artigo "Fundamentalismo sectário impede o fortalecimento da economia da sociobiodiversidade", de Ricardo Abramovay, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, explora as raízes ideológicas e culturais dos incentivos à destruição florestal, e apresenta forças que buscam se contrapor às atuais políticas federais e iniciativas com o potencial de abrir caminho a uma economia da sociobiodiversidade florestal.

Os demais artigos abordam temas como as reações e resistências lideradas por associações da sociedade civil e por força de coalizões e plataformas multissetoriais; inovações socioecológicas que conformam relações sociais que têm a comunidade local como protagonista; e uma análise dos destaques do Web-Seminário "Construindo Diálogos sobre Governança Florestal".

Sumário "Estudos Avançados" nº 106

Dossiê Eleições

  • O Brasil é realmente um país polarizado? Análise das eleições presidenciais de 1989 a 2018 - Antonio Carlos Alkmim e Sonia Luiza Terron

  • Reformas eleitorais no Brasil contemporâneo: mudanças no sistema proporcional e de financiamento eleitoral - Arthur Fisch e Lara Mesquista

  • Para onde foram os partidos na opinião pública? As percepções sobre os partidos políticos na redemocratização no Brasil - Rachel Meneguello e Oswaldo E. do Amaral

  • Partidos dominam registro de candidaturas, lideranças conectam melhor com o eleitorado - Bruno Wilhelm Speck

  • Financiamento de campanhas e desempenho eleitoral das mulheres nas eleições brasileiras (1998-2020) - Vitor de Moraes Peixoto, Larissa Martins Marques e Leandro Molhano Ribeiro

  • Pesquisas eleitorais no Brasil: Tendências e desempenho - Fernando Meireles e Guilherme Russo

  • Esquerda, direita e eleições presidenciais no Brasil - Gabriela Tarouco

  • Bolsonarismo e as eleições de 2022 - Lucio Rennó

 

Governança Florestal

  • Governança florestal: três décadas de avanços - Cristina Adams, Luciana Gomes de Araujo e Liviam E. Cordeiro-Beduschi

  • Protegemos quando valorizamos: história da legislação florestal brasileira - Paulo Eduardo dos Santos Massoca e Eduardo Sonnewend Brondízio

  • Fundamentalismo sectário impede o fortalecimento da economia da sociobiodiversidade - Ricardo Abramovay

  • Experiências de governança da restauração de ecossistemas e paisagens no Brasil - Robin L. Chazdon, Rafael B. Chaves, Miguel Calmon, Ludmila Pugliese de Siqueira e Rodrigo G. Prates Junqueira

  • Casos brasileiros de Restauração Socioinovadora de Paisagens - Aurélio Padovezi, Jordano Roma, Daniela Coura, Lucas Antunes da Silva, Marina Campos, Patrick Ayrivie de Assumpção e Laura Secco

  • Ação coletiva multinível e inovação socioecológica na governança florestal - Liviam E. Cordeiro-Beduschi, Cristina Adams, Luciana Gomes de Araujo, Aurelio Padovezi, Jordano Roma Buzati, Marcus Vinícius Chamon Schmidt e Raquel Rodrigues dos Santos